Vamos brincar de roda?

“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. (João 17:21)

Chegamos em outubro, o mês das crianças! Pensar em infância nos faz recordar do nosso tempo de meninos em Aimorés, das brincadeiras na rua, de pique-esconde, queimada, pique-bandeira, polícia-e-ladrão. Nos faz lembrar das subidas aos pés de manga carregados, de comer cajá com sal e esfolar o dedo jogando futebol no chão batido. Nos faz lembrar que somos de um tempo em que criança ainda brincava de roda, ao som de “alface já nasceu”, “caranguejo não é peixe” e “escravos de Jó”. Como amávamos essas brincadeiras infantis! Coisas simples de criança, mas que faziam a gente dar gargalhadas, cultivar amizades e achar a vida espetacular!

Enquanto nos púnhamos a recordar dessas coisas, nos lembramos de um termo usado na Teologia para explicar a Trindade. Alguns teólogos, como Jürgen Moltmann, tentaram definir o nosso Deus usando o termo“pericorese”. Essa palavra grega se compõe de três radicais: “peri”, quer dizer “ao redor”; “chorea”, que significa “dança”; e, finalmente, “esis”, que significa “decorrência”. Ao usar a “pericorese” para se referir à comunhão da Santíssima Trindade, fizeram a comparação com uma dança de crianças, uma brincadeira de roda. Com essa palavra, queriam expressar que a Trindade baila, brinca de roda, por todo o Universo e por toda a eternidade.Uau! Nossos olhos marejaram agora pela riqueza dessa imagem! Você também pode sentir isso?

Mas, o mais lindo nessa leitura teológica ainda estamos por mencionar. É que a dança de roda da Trindade abre espaço para participarmos também. A igreja redimida por Cristo Jesus é convidada à dança. É convidada a dar as mãos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, para dançarmos juntos a dança do amor. É que nessa perspectiva teológica, a relação de amor, afeto e parceria da Trindade, convida-nos a que sejamos uma comunidade onde estejamos todos de mãos dadas, cada um e cada uma com suas particularidades e potencialidades diferentes, todavia sem distinção, sem discriminação, sem subjugação, como acontece na brincadeira de criança.

A Pericorese da Trindade nos desafia a vivermos o oposto do narcisismo, pois ela é um “voltar ao outro”, onde tudo que é feito, não é feito isoladamente, mas em comunidade. Nós Nele e Ele em nós, numa dança festiva, alegre, comunitária, igualitária e cheia de amor.

Porque Ele dança, nós dançamos. Porque Ele vive eternamente de mãos dadas, nós também somos daqueles que dão as mãos. Porque Ele é uma comunidade, nós também somos. Vamos brincar de roda?

Pr. Heleénder e Anna Eliza

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