Ser feliz

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.” (Mateus 5.3)

 

O que te faz feliz? Na maioria das vezes que fazemos essa pergunta a alguém, a resposta tem uma característica interessante: geralmente, a felicidade depende de algo que está fora da pessoa a quem dirigimos a pergunta. Respostas comuns para essa indagação costumam ser: a família, a realização no trabalho ou fazer alguma atividade prazerosa (como viajar, saborear a comida favorita, dormir, passear, fazer aniversário, ganhar presentes, etc).Embora todas essas coisas sejam motivos para alegrar-nos, é interessante notar que, no Sermão do Monte, Jesus nos propõe um jeito de pensar a respeito da felicidade que foge completamente ao que costumamos considerar motivo de satisfação pessoal. Para Ele, felicidade não está ligada ao que a vida ou ao que o outro pode nos proporcionar, mas ao que nós proporcionamos à vida e aos outros. Jesus inverte a lógica: a felicidade se encontra não naquilo que recebemos, mas naquilo que ofertamos.

Na ótica proposta por Jesus, ser feliz é uma competência que se desenvolve na ação doadora, é uma habilidade que está intimamente ligada a uma ação amorosa. A primeira ação que nos leva ao desenvolvimento da felicidade é ser pobre de espírito, isto é, perceber-nos em condição de absoluta dependência de Deus, e saber que não possuímos nenhum mérito que nos habilite a receber Sua bênção ou o Seu favor. Quando nos tornamos pobres de espírito, ficamos impossibilitados de nos considerar melhores do que os outros. Nesse sentido, Bonhoeffer declarava:Se o meu estado com pecador me parece, de alguma forma,menos mau ou detestável quando comparado com o pecado dos outros, na verdade ainda não reconheci que sou pecador.” Ser pobre de espírito é perceber-se pecador, como todos os outros, e não buscar colocar-se acima dos demais.

Quando você olha para essa ação amorosa de ser pobre de espírito, você pode dizer que é feliz? Pergunte a si mesmo: Você costuma desejar estar em melhor posição que as outras pessoas? Você busca comparar-se a outros pecadores e julgar os outros mais errados que você? Você costuma se esforçar para demonstrar ter mais qualidades, mais bens, mais privilégios ou mais conquistas do que as outras pessoas?

O conceito de felicidade de Jesus é revolucionário, é desafiador, é extraordinário! Ser feliz é querer ser como todos os outros, é não buscar elevar-se acima de ninguém. Num mundo que valoriza tanto o destacar-se na multidão, talvez precisemos aprender com Jesus sobre a sua concepção de felicidade. Que essa seja a nossa oração.

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